30 de out de 2016

[Crônica] A linha

A linha



“Existe uma lenda no oriente que diz que as pessoas destinadas a se conhecerem têm uma linha vermelha amarrada em seus dedos. Esta linha nunca vai embora e fica constantemente amarrada, apesar do tempo e da distância. Não importa o quanto demore para conhecer essa pessoa, não importa o tempo que você passe sem vê-la, e também não importa se vive no outro lado do mundo: o fio estica-se ao infinito, mas nunca se parte. Este fio está com você desde seu nascimento e te acompanhará, em maior ou menor tamanho, mais ou menos emaranhado, ao longo de toda sua vida. Assim, o Avô da Lua sai toda noite para se encontrar com os recém-nascidos e amarrar uma linha vermelha em seu dedo, uma linha que vai decidir seu futuro, que irá orientar estas almas para que nunca se percam…“

São Paulo – Aeroporto de Guarulhos voo Guarulhos x Rio de Janeiro, manhã de ano novo...

Eu posso dizer que não sou do tipo que leva a vida suspirando pelos cantos, afinal não dá pra se viver só de amor, mas sinto um pouco de inveja de algumas amigas que na minha idade já tem um relacionamento instável... Ok, sem melodramas do tipo novela mexicana, todavia eu prefiro focar em meu trabalho. Aquele era o primeiro dia de uma viagem que estava fazendo ao Rio de Janeiro, trabalho em uma editora e iria representar um novo autor que diziam ser um fenômeno em questão de literatura, seria sua redatora e assistente junto à nossa empresa.

“Voo 302 para Rio de Janeiro portão 2 ala norte...” Assim a voz no alto falante anunciou a minha ida à cidade maravilhosa. Confesso que tinha certo receio e um frio na barriga quando entrei no avião, seria meu primeiro trabalho sério ao qual poderia crescer profissionalmente e ganhar certo status na Editora, que era uma das 5 maiores da America latina. O voo fora tranquilo e logo que cheguei me dirigi rápido ao hotel. Depois de tomar o táxi e estar instalada, fui ansiosa fazer a chamada e marcar o encontro com esse novo autor Carlos Godoy, romancista de literatura fantástica e terror.
- Bom dia, sou Angela Tanaka, poderia falar com Carlos Godoy?
- É ele quem fala.
- Sr Godoy, sou representante da editora e serei sua assistente e redatora junto à nossa empresa, podemos marcar uma reunião?
- Claro, mas hoje não, é dia primeiro, ano novo...
- Ah sim, tudo bem, poderia ser amanhã?
Eu senti que ele não estava muito disposto a esse encontro, já ouvira falar que era um tanto cheio de manias e que na maior parte do tempo gostava de estar na praia. Eu suspirei e esperei a resposta que veio em seguida.
- Srta Tanaka, eu prefiro que deixe para sexta-feira. Diga-me, não comemorou o ano novo? E sua família, amigos...?
- Eu comemorei sim, Sr Godoy, mas preferi vir logo ao Rio de Janeiro para adiantar os cronogramas e, claro, a data do lançamento de seu novo livro, que já foi marcada para daqui a 3 meses e pelo que entendi ainda não terminou de escrevê-lo.
- Não irei terminar hoje...- riu baixo na linha – Vamos relaxar, na sexta-feira conversamos pessoalmente, lhe mandarei um “zap”, certo?
- Sim, ficarei no aguardo.
- E não espere tanto, vá conhecer a cidade e se divertir um pouco.
- Assim que terminar o trabalho farei isso, obrigado pela sugestão, bom dia!
- Trabalho?! Garota, é ano novo, vá curtir um pouco... - sorriu e encerrou a chamada.
Eu definitivamente teria que ter muita paciência com esse autor, simplesmente me mandou largar o trabalho e me divertir, fiquei levemente irritada com aquilo. Soltei o ar dos pulmões. Estava tensa nessa ligação e quando dei por mim estava nervosa. Levantei da cama e fui a janela, o dia estava realmente bonito e pude ver o mar do Leme, algumas pessoas andavam fazendo caminhada no calçadão. Talvez uma caminhada fizesse bem, iria relaxar. Não adianta ficar esperando, como ele mesmo disse somente na sexta iríamos nos encontrar, ainda era quarta e isso me dava 2 dias para visitar a cidade.
 Assim foi o início de meu pior pesadelo. Aconteceu tudo muito rápido, uma correria e pessoas se jogando na areia, gritando “tiros”. Eu não sei ao certo de onde veio, mas senti um baque acertar minha cabeça e escorrer um liquido quente na minha testa, minha visão ficou turva e apaguei.

Três meses depois...

“O que é isso?”
Minha cabeça latejava, tentei abrir os olhos, porém a luz forte me incomodava. Por Deus, onde estava? Passei a mão em meu rosto e depois na cabeça, estava confusa e uma sombra veio até mim, parou ao meu lado e falou algo que depois de um tempo entendi.
- Angel, minha Angel, finalmente acordou.
A voz doce e chorosa me deu tranquilidade.
- Okasan, onde... estou?
- No hospital.
- Hospital?! - olhei para ela confusa.
- Sofreu um tiro de bala perdida, ficou em coma, mas tudo correu bem e agora está acordada, finalmente minha filha acordou.
Suspirei baixo e tentei me lembrar daquele momento, mas nada vinha em minha mente. Fiquei ainda mais confusa e fechei os olhos respirando devagar para me acostumar com a claridade,  minha mão tocou os curativos na minha cabeça e foi nesse momento que notei algo em meu dedo, uma linha vermelha amarrada.
- Okasan, o que é isso? - estendi a mão e a linha vermelha escorria para fora da cama, não consegui ver seu fim, mas conforme mexia a linha não soltava. - Essa linha vermelha amarrada no meu dedo...
Minha mãe me olhava confusa e segurou a minha mão com carinho.
- Angel, não posso tirar o soro, você precisa para ficar forte.
- Não okasan, no meu dedo, tira essa linha dai, esta amarrada no meu dedo.
- Linha?! - ela olhava me olhou ainda mais confusa - Descansa, deve ser alguma confusão de sua mente, deve está confundindo com o estêncil do soro.
- Não... eu... - resolvi puxar e nada de soltar - Isso não sai…
- Minha filha fique calma, vou chamar uma enfermeira, não pode se agitar.
Às pressas vi minha mãe sair do quarto enquanto eu lutava com aquela maldita linha vermelha. Assim, pouco depois a enfermeira veio e tentou me acalmar, levou uns minutos até me conformar que apenas eu via essa linha.

1 ano depois...

O ano que passou foi muito desgastante. Após a minha recuperação, sem sequelas (que para os médicos fora considerado um milagre), ainda passei por um longo tratamento já que desenvolvi síndrome do pânico. Como disse, aquele dia foi o inicio de um período muito conturbado para mim e até da editora precisei me afastar. Porém, o que ainda me levava a ficar mais confusa e a ter que fingir que estava tudo bem era a linha.
A linha que ficava sempre presa em meu dedo e seguia ao infinito. Durante meus primeiros meses foi o que mais preocupava minha família, todos começavam a crer que estava apresentando algum distúrbio devido ao tiro na cabeça, até eu mesma comecei a acreditar nisso, contudo o tempo foi passando e me acostumei a ver a linha e não ligar mais para ela.
Finalmente resolvi tomar as rédeas de minha vida e voltar ao trabalho, então o primeiro dia na editora foi um tanto acolhedor, a empresa fora muito solista comigo e apesar de ficar encostada fui recebida no retorno de forma agradável.
Estava fazendo leves serviços de inicio, quando recebi uma chamada. Ao atender, fui surpreendida pela pessoa mais improvável que poderia imaginar.
- Srta Tanaka, Carlos Godoy. Espero que se encontre bem e...- ouve uma pequena pausa – enfim, estou ligando para podermos marcar uma reunião.
- Sr Godoy, quanto tempo, eu estou bem e o Sr? - suspirei – Sim, claro, podemos marcar uma reunião, para quando deseja?
- Estou bem e pode ser hoje à tarde? - esperou – Claro, se não for incomodar.
- Sim, eu... - procurei minha agenda – Às 15 horas aqui na editora?
- Perfeito, estarei na hora marcada, até mais tarde!
Assim que desliguei voltei aos meus afazes, no entanto pensativa. Qual seria o motivo dele querer conversar, já que não era mais a assistente e revisora dele? Deixei esses pensamentos de lado e na hora marcada aguardei a sua chegada. Em minha mesa, estava distraída quando a linha começou a mexer em meu dedo. Olhei a minha mão um tanto confusa e depois as pessoas em volta. Assim que notei que ninguém olhava para mim, escondi a mão embaixo da mesa e comecei a me sentir insegura. A linha repuxava e por vezes ficava estendida e depois frouxa.
- Angela?! - Monique olhava-me estranhando, pois estava em minha frente me chamando e eu não lhe dava atenção – Angela?! - apoiou a mão na mesa e foi quando a notei. - Está tudo bem?
- Ah?! É que... Ah sim, está tudo bem sim, só me distrai com algumas coisas que me pediram para fazer.
- O escritor Carlos Godoy está lhe esperando. - Monique ainda me olhava com expressão preocupada.
- Obrigada, Monique, vou encontrá-lo.
Levantei e rapidamente fui até a sala principal para encontrá-lo. A linha se estendia a minha frente praticamente marcando o caminho, antes eu não via até onde ela ia, mas dessa vez era como se mostrasse para onde ir.
Assim que cheguei na sala de recepção meus olhos se arregalaram. Carlos estava de pé e a linha ia até ele, olhei-o principalmente para onde a linha terminava, no bolso de sua calça jeans onde ele tinha colocado uma das mãos.
Suspirei baixo e esforcei-me para não demonstrar aquele momento de sandice, abri um sorriso suave e de certa forma tímido para cumprimentá-lo, estendi minha mão, que por habito era que tinha a linha amarrada, e ele tirou a mão do bolso e apertou a minha.
“Ótimo, estou ficando louca” pensei. A linha tinha seu fim ali amarrada ao dedo dele.
- Boa tarde, Sr Godoy. - Apertei a sua mão e nesse momento me senti estranha e ao mesmo tempo com a sensação de conforto, fiquei muda uns instantes e olhava a sua mão, aliás, as nossas mãos unidas naquele cumprimento e pela linha.
- Srta Tanaka... - ele chamou – Srta Tanaka? - mais uma vez chamou - Angela?!
Como quem acordasse de um transe, pisquei os olhos algumas vezes e o olhei dando um sorriso sem graça.
- S-sr Godoy, desculpe, estou um pouco distraída hoje. Então vamos à sala de reunião? - soltei sua mão e apontei o caminho. Fui um pouco a frente e ele me seguiu.
Eu não conseguia entender, aquela maldita linha estava nos ligando e por mais que tentasse entender os motivos, nada vinha a minha mente.  Quando entramos na sala e nos sentamos, eu o analisei. Era jovem e sua aparência despreocupada, um homem alto e de pele queimada de sol, apesar de ser moreno. Sorri novamente sem jeito e comecei aquela conversa perguntando:
- Então, o que deseja conversar comigo? Afinal, pelo que sei o sr Godoy tem outro assistente.
- Primeiro quero lhe pedir, sobre seu incidente aquele dia...- ele parecia desconcertado em falar sobre isso. - Sinto muito, realmente não...
- Sr Godoy, não precisa se preocupar. Afinal o que aconteceu, aconteceu, e o Sr não teve culpa. - Eu estava cada vez mais sem jeito, além daquela maldita linha nos ligando havia um homem se desculpando por aquele maldito dia, como se fosse ele que tivesse atirado pela sua expressão até de pesar que me apresentou.
- Ótimo, minha nossa, estava muito preocupado e precisava falar com você, me senti culpado por ter lhe mandando sair mesmo sabendo que a cidade não é tão segura. - Ele sorriu como quem estivesse aliviado e se levantou.
- Ah?! - confusa o olhei levantar e tomar o rumo da saída – Era somente isso que veio falar?
- Sim, o que mais poderia ser? – ele sorriu no canto dos lábios e abriu a porta – Espero que tenha uma ótima vida, aproveite-a. – e saiu sem nem me deixar falar algo.
Levantei e o segui um tanto intrigada, a linha estava ali ainda nos unindo, mas conforme ele se afastava de mim, ela esticava.
- Sr Godoy, eu… queria lhe perguntar algo, mas... - segui até a recepção da editora.
-O que seria? - olhou para mim pegando seus óculos escuros do bolso de seu paletó.
- Eu... - olhei a mão dele amarrada com a linha. - Eu… - pensei rápido – Eu gostaria de poder voltar a ser sua assistente representante junto à editora, poderia ter uma chance novamente?
Ele olhou-me um tempo e depois abriu um largo sorriso.
- Seria bom, mas já tenho um representante, então...
- Ah sim, entendo. - Estendi a mão para me despedir, ele a segurou e ambos os dedos amarrados voltaram a se juntar naquele breve cumprimento de despedida.
- Boa tarde - soltou minha mão e saiu.
- Boa tarde.
Fiquei ali parada vendo-o sair e a linha se esticar seguindo a frente e sumindo conforme ele já não aparecia mais no meu campo de visão. Voltei para a minha mesa olhando a minha mão com aquela linha vermelha que continuava ali, e várias perguntas na mente. Por que estava ligada àquele escritor? Por que me senti estranhamente bem ao segurar sua mão? Não queria pensar naquilo, mas a cada vez que olhava a minha mão, era um desespero sem limites de perguntas não respondidas.
Naquele mesmo dia no final do expediente recebemos uma péssima notícia, um dos nossos redatores e assistentes precisou se ausentar das suas funções devido a uma doença e não havia comunicado até passar mal em um restaurante. Foi lhe dado toda assistência e eu voltei no outro dia a trabalhar, dessa vez havia tido uma pequena crise de ansiedade, resultado de minha síndrome do pânico que atualmente estava sendo tratada com remédios e consultas periódicas ao psicólogo.
Cheguei ao trabalho exausta e sentei, quando Monique veio me avisar que o chefe marcou uma reunião para logo mais e que era para eu estar presente. Não tardou muito fui até a sala de reunião principal e, ao entrar, a linha amarrada em meu dedo se esticou. Olhei minha mão e depois os demais na sala, meus olhos foram diretamente aos dele. Fiquei muda e não consegui desviar dele, Carlos estava muito bem arrumado e elegante com seu sorriso no canto dos lábios e jeito despojado.
- Angela, sente-se – Alfredo, meu chefe, mostrou o lugar - Não preciso de formalidades em apresentações, sei que se conhecem, certo?
Fiz um gesto que sim ao me sentar e sorri.
- Angela, como vai? - Carlos me olhava de um jeito diferente, mais intenso, que me deixou desconcertada.
- Bem, sr Godoy.
- Angela, estamos muito felizes com os livros que Carlos tem escrito e agora faremos o lançamento internacional nos Estados Unidos, e o Sr Godoy pediu que fosse você a assistente acompanhá-lo nas representações na filial de Nova Iorque.
- Nossa, mas... - olhei para Carlos que sorria para mim – Eu vou… claro, vai ser ótimo. - Não sabia o que dizer apesar de ver a expressão um pouco insatisfeita do meu chefe. - Irei representá-lo e fazer o meu melhor junto à editora.
- Ótimo. - Olhou Carlos – Vou deixá-los para acertarem os detalhes enquanto faço os comunicados junto à filial de Nova Iorque. – Alfredo se levantou e nos deixou ali.
- Eu fico surpresa, mas grata por ter me escolhido, afinal não tenho experiência junto com autores.
-Posso lhe contar uma história? - Ele apoio os cotovelos na mesa e ainda sorrindo ficou me olhando. Dei de ombros e confirmei com a cabeça que sim. - Há muito, muito tempo atrás, um imperador ouviu que em uma das províncias do seu reino vivia uma bruxa muito poderosa que tinha a capacidade de ver o fio vermelho do destino, e mandou trazê-la a sua presença. Quando a bruxa veio, o imperador ordenou-lhe olhar a outra extremidade do seu fio e levá-lo para quem seria sua esposa. A bruxa concordou com este pedido e começou a seguir o fio. Esta busca os levou a um mercado, onde uma pobre camponesa com um bebê nos braços oferecia seus produtos. Ao chegar onde estava esta camponesa, se colocou frente a ela e convidou-a a ficar de pé. Quando o jovem imperador se aproximou, a bruxa disse: “Aqui termina a sua linha”; mas ao ouvir aquilo o imperador ficou com raiva, pensando que a bruxa estava fazendo uma piada, empurrou a camponesa que ainda estava segurando seu bebê em seus braços e a fez cair, causando uma grande ferida no rosto do bebê. Ordenou que seus guardas prendessem a bruxa e cortassem sua cabeça. Muitos anos mais tarde, chegou a hora de o imperador casar-se, e sua corte recomendou que a melhor coisa era se casar com a filha de um general poderoso. Ele aceitou e chegou o dia do casamento. Na hora de ver pela primeira vez o rosto de sua esposa, que entrou no templo com um belo vestido e um véu que cobria completamente sua face, viu que aquele rosto bonito tinha uma cicatriz peculiar na testa. - sorriu - Esta lenda é tão enraizada nas culturas orientais que milhões de pessoas carregam consigo uma verdadeira linha vermelha. - ele esfregou as mãos - Uma linha vermelha a qual não podemos impor os nossos caprichos e nossa ignorância, uma linha vermelha que não podemos destruir. Uma linha vermelha que vai direto ao coração, que se conecta ao amor eterno. O amor de uma mãe, um pai, um irmão, um filho, um amigo, um homem ou uma mulher... Um fio vermelho que simboliza o amor e interesse comum. Cada um interpreta como quiser, mas muitas vezes as casualidades são tão fortes que não deixam dúvidas. Se chamam almas gêmeas, corações entrelaçados com uma ou várias eternidades para viver.
Olhei para ele intrigada e ainda mais alarmada conforme contava a sua história, até que ele falou da linha vermelha. Olhei instintivamente para minha mão e ele olhou como quem seguisse e também a visse. Nesse instante meus olhos se arregalaram e espantada o vi levantar a mão a qual tinha a linha também no dedo.
- Como?! Mas... Você também a vê? - assustada demais levantei de súbito da cadeira que estava e ofeguei ainda olhando-o.
- Angela, uma vez eu andava na orla de bicicleta quando ao tentar desviar de uma criança cai da bicicleta e bati forte a cabeça. Eu sempre me cuido e nunca ando de bicicleta sem capacete, mas nesse dia sai sem e aconteceu isso, pela forma que bati fiquei com traumatismo craniano e alguns dias em coma, quando acordei estava com essa linha amarrada no dedo. - deu de ombros – Loucura não, ninguém a vê, somente… - fez uma pausa – Nós.
-... Mas... como você sabia de mim? Da linha em mim? E por que estamos ligados a essa linha?
- Eu vim visitá-la dias depois que foi internada, quando vi a linha que nos ligava, então entendi o motivo. - suspirou – Eu busquei o motivo de estar vendo aquela linha e achei essa história.
- Está querendo dizer que somos almas gêmeas, é isso? - olhei alarmada. Ele deu de ombros e ainda sorria para mim quando eu fechei a face e dei um leve sorriso nervoso. - Loucura... Isso é loucura, eu não acredito nisso, uma linha que só quem é louco fica imaginando coisas vendo isso. - eu me encostei na parede e depois olhei para ele. - Sr Carlos Godoy, não sei nada sobre você e muito mesmo dessa história toda, se essa linha está aqui e ambos vemos então...
-… Somos loucos... Isso que quer dizer?
- Eu acho que isso pode ser qualquer coisa, menos uma fábula oriental onde nós dois somos ligados por uma linha.
Ele puxou a linha de sua mão e eu senti esse puxão e abrir meus olhos alarmada.
- Isso para mim parece bem real, Angela.
- Eu preciso pensar... Juro que preciso pensar nisso com calma. - respirava ofegando.
- Pode pensar à vontade, eu já sei a resposta e ao meu ver... - olhou-a de cima a baixo –... estou bem feliz com o que encontrei no final da linha.
Bufei encabulada e fui à mesa pegar minha agenda e celular.
- Vamos focar no trabalho e esquecer isso, ou melhor, eu quero tirar isso -mostrei a ele a mão com a linha amarrada.
- Não ouviu a história que contei? Não tem como, estamos ligados.
- Impossível, tem que ter uma forma de tirar isso da minha mão, passei esse último ano me sentindo uma louca e paranóica e agora vem você com essa sandice! Isso é fora da realidade, coisas assim não existem... Vou achar um jeito de tirar.
Ele ficou calado um tempo e se levantou pegando suas chaves e celular.
- Angela...- caminhando até a porta, ele virou e me deu um olhar. - Vou provar para você que sou sua alma gêmea e que essa linha é nosso elo eterno.
Eu suspirei e depois prendi o fôlego sem poder sequer acreditar no que ele dizia, o vi sair da sala e encontrar meu chefe no corredor, confirmando que seria sua nova assistente e redatora. Aquela história toda e a postura dele deixaram-me sem chão e assim fui para casa pensando em Carlos e naquela linha.

Continua...