23 de jun de 2017

[Conto] A Dama Negra

A Dama Negra

"Jesus, salvator mundi
Tue famuli subveni
Quos pretioso sanguine
quos pretioso sanguine
Redemisti"


O silêncio era quebrado por sussurros de alguns fiéis que, ajoelhados diante do altar, oravam pela sua redenção, era assim que ficavam presos naquela fé sob o olhar de seu “salvador”, de braços abertos com as chagas expostas lembrando-lhes que morreu para salvá-los. Ao fundo um grupo do coro ensaiava cantos religiosos dando ainda mais ênfase aos que rezavam pedindo perdão pelos seus pecados.
A nave tinha um ar melancólico para alguns e para outros gerava a paz, mas não era o caso de Gianni Salvatore. Em nenhum momento o homem alto de cabelos castanhos usando um terno desalinhado conseguia sentir aquela paz que o local proporcionava, a igreja santa que a todos era o refúgio, para ele era o fracasso de uma missão mal sucedida que levara à morte dois de seus melhores amigos.
Afastando-se alguns passos do altar, virou o corpo nos próprios calcanhares e caminhou até o cruzeiro e acendeu uma vela para cada um dos seus amigos, Padre Miguel e Padre João, fez uma rápida prece e por fim soltou o ar do peito como se aliviasse por alguns momentos o coração frustrado, afastou-se, tomando o rumo da saída caminhando entre os enormes bancos que compunham aquela que era a sede principal do Vaticano.
- Padre Salvatore.
Já estava na porta principal para sair quando ouviu aquela voz suave e baixa quase sussurrante lhe chamar. Padre? Não, não era mais padre, devido ao seu fracasso resolvera abdicar do seu sacerdócio. Não acreditava mais em sua fé, não acreditava mais em sua vocação, não mais pelo menos até encontrá-la e livrar o mundo do demônio e assim se redimir para ser merecedor daquele título. Era essa a sua punição, a que escolhera como redenção.
- Maria, fico grato por sua ajuda em trazer minha mala. - pegou a mala trazida pela jovem noviça que vinha do outro extremo da catedral.
Ela cumprimentou com os olhos marejados por lágrimas contidas.
- Não precisa agradecer, padre, faço de bom gosto e tome cuidado. – Juntou as mãos ainda chorosa como fosse fazer uma prece. - Caçar essas criaturas é perigoso e a Dama Negra caminha há séculos e ninguém conseguiu eliminá-la.
- É minha missão, foi para isso que me tornei caçador e a cumprirei. – Tocou a face da noviça e depois se afastou. - Sou abençoado por ter-lhe como amiga, reze por mim.
Virou-se, descendo as escadarias um pouco apressado, sabendo que nas suas costas havia os olhos preocupados da noviça, mas não tinha como evitar, apenas seguir em frente com sua missão.
Pouco tempo antes havia pedido um táxi para levá-lo ao aeroporto, que estava aguardando na praça em frente a catedral. Seu voo saía às 18:30h com destino a Nova Iorque,
O voo fora tranquilo, aproveitou aquele momento para analisar os relatórios que havia retirado nos arquivos para traçar uma estratégia e assim chegar até a Dama Negra.
Havia algo naquela vampira que ele não conseguia se desvencilhar, por muitas vezes se questionou por que ainda a caçava? Fora essa insistência que fizera seus amigos perderem a vida. Insistia em livrar aquele monstro da face da terra.
Lia um relatório onde havia uma ficha sobre a vampira. Os caçadores criavam arquivos com dados de vampiros que caçavam para fins de pesquisas, o qual os caçadores tinham a missão de manter atualizado.
Pegou uma das pastas e analisou, anotando pontos principais em sua pequena agenda de couro que carregava sempre consigo além do seu rosário que mantinha enrolado no pulso esquerdo.
Lya Frantini Merelyn, nascida por volta de 1782 na ilha da Sicília bourbônica (1734-1860) Itália, segunda metade do século XVIII. Aos 15 anos entra para o convento Irmãs Matriarca do Perpétuo iniciando os seus estudos religiosos como noviça o que faz até os 17 anos. Em uma viagem para Roma desaparece misteriosamente. Reaparecendo no final do século XVIII, com inúmeros assassinatos, havia se tornado a besta sedenta por sangue e devido aos crimes fora condenada ao extermínio, desde então vem sendo caçada pelo mundo. Muitos já padeceram encontrando a morte diante da demônio chamada de Dama Negra.
Aquele trecho era relido por ele diversas vezes, como alguém servo de Deus sucumbe ao mal daquela forma? Questionamentos a parte ele preferia encontrar pontos fracos naquela criatura e assim poder acabar com ela de uma vez.
Horas depois e seguida de duas conexões o avião finalmente pousou no Aeroporto Internacional John F. Kennedy no Queens, no agito daquele lugar denunciava o quanto era caótico e conturbado andar naquele salgão. Não demorou muito o check-in e já estava no táxi rumo ao hotel na mesma região. No final, da tarde, após dar entrada no hotel e ir para o quarto, começou a se preparar para a caçada, aquela noite que iria iniciar seria a decisiva. Tinha traçado os locais e possíveis ninhos de vampiros e iria achá-la pondo por fim aquela missão.
Decidido, Gianni rumou ao distrito de Staten Island pegando a última embarcação para a ilha, tinha em mãos o mapa do lugar sabendo que a região era grande, por isso não perderia tempo, indo para um ninho fora da área residencial.
Debruçado na grade da embarcação, Gianni olhava as suas anotações sem notar que estava sendo observado. Os olhos prateados com leve tom azul tornaram-se estreitos, analisando-o conforme se aproximava. Assim ela encostou-se à grade e virou a face para o mar onde a embarcação navegava sob o mar gélido naquela noite de início do inverno, murmurando em italiano a modo que ele pudesse lhe ouvir.
- Libertà, qualcosa di così semplice e allo stesso tempo impossibile da raggiungere..
Gianni franziu a testa e semicerrou os olhos, sua mão direita desceu devagar para dentro do bolso de seu casaco.
- A liberdade somente é para os merecedores... -Sacou de sua arma e girou o corpo apontando para direção de onde vinha aquela voz suave, delicada e de um tom terrivelmente envolvente fazendo os mais fracos sucumbirem à sua vontade.
A mira apontada para a mulher de pele alva, tão alva que se tornava translúcida, longos cabelos loiros que beiravam abaixo de sua cintura no mesmo tom de sua pele, lábios suavemente corados e estatura baixa. Usava um longo casaco negro que a protegia de um frio no qual não sentia devido a sua condição de ser da noite. Sorriu-lhe, divertindo-se com a situação.
- Sua bênção, padre.
Gianni estremeceu sentindo um calafrio subir lhe a espinha, mantendo-se alerta com aproximação dela.
- Sabe bem que não há como lhe dar a bênção, Lya. - O tom de voz alto e irritado.
Lya inclinou o corpo aproximando-se ao ponto do cano da arma tocar-lhe a testa, fechou os olhos e suspirou baixo, aguardando algum ato daquele humano.
- Melhor guardar a arma, padre, está chamando atenção. - Abriu os olhos girando a órbita para o canto para mostrar-lhe que poderia chamar a atenção dos humanos naquele barco.- O que pretende fazer, padre? Atirar?
Ele respirava rápido, não queria tirar os olhos dela, mas um barulho de porta abrindo o obrigou a desviar o olhar, guardando a arma por baixo do casaco. Foram segundos, no entanto, o suficiente para ela sair do seu campo de visão, sumindo nas sombras.
- Lya.
- Sim, padre.
Ele ouviu a voz, procurando por ela nas sombras.
- Eu deveria exterminá-la, pôr um fim em tudo. - Ele andava olhando o local, tentando localizá-la.
Aquela vampira deixava-o louco e sem chão desde que a encontrara um ano atrás em Paris para executar a ordem de extermínio.
- Padre João e Padre Miguel morreram por sua causa, Lya, não tenho mais como evitar. Devo por um fim agora mesmo. - A voz embargada em uma mistura de raiva, frustração e agonia.
Ela olhou-o das sombras onde havia mergulhado o corpo escondendo a expressão de tristeza.
- Humanos morrem todos os dias, padre, não me culpe pelos erros deles, avisei-lhes que não deveriam seguir-me.
- Stai zitta! Sua voz... Não me confunda, não acreditarei mais em suas palavras. - Bufou nervoso, sentindo algo se aproximar dele.
Ela passava ao seu lado pelas sombras quando tocou-lhe ombro. Assustando-se, ele a empurrou, o baque do corpo contra o metal ecoou pelo convés do navio. A arma estava apontada para seu peito, Gianni a pressionou, escondendo-a com o casaco para que aqueles que os vissem não notassem nada além de um casal enamorado e abraçado.
Ele fixou o olhar apático nos olhos claros dela.
A vampira grunhiu baixo com aquele contato dele, sentiu o aroma dele e seu calor, fazendo com que seus olhos avermelhassem. A mão tocou o peito do seu algoz e afagou, apertando o tecido da blusa branca que ele usava entre os dedos delicados.
- Não acredita mais, caçador? Então, cumpra a sua missão. - Ergueu o rosto e se aproximou de forma que o caçador sentisse o roçar da pele fria em sua face.
- Atire!
Gianni pressionou o corpo contra o dela, sua mente estava presa aquele olhar. Não queria admitir, mas sabia que sua raiva e mágoa não eram pela morte dos amigos caçadores.
Sua raiva estava presa àquela vampira, àquele olhar e àquela voz. O caçador que fizera seus votos sobre o altar em erradicar o mal havia sucumbido àquela criatura que o tocava como se a ela pertencesse.
Gianni abdicara de seu sacerdócio para caçá-la, para recuperar sua alma, para ser merecedor novamente de ser um servo do senhor.
-Não descansarei enquanto existir, demônio. – Engatilhou a arma, empurrando ainda mais o corpo dela contra a parede do navio.
Sua mão estava trêmula em seu peito o coração pulsava rápido, quase saindo pela boca, sentindo a respiração ofegar quando ela o tocou.
- Destruiu tudo. – Falava com dificuldade. - Destruiu minha fé e agora preciso recuperá-la. A minha redenção virá com o seu extermínio.
- Gianni, não destruí algo que já estava destruído, se sua fé fosse tão fervorosa, não teria sido abalada nem por mim e nem por ninguém. - A mão dela tocara os lábios do ex padre. - Quando me beijou em Paris sabia que não era merecedor do título que ostentava.
Ele olhou-a, furioso e puxou a arma se afastando, não conseguia atirar,tremulo, em fúria abaixou a arma e descarregou então aquela ira com um soco na estrutura de metal do navio, passando a poucos centímetros da face de Lya.
O impacto chamou atenção de alguns humanos que acabaram de atravessar a proa. Disfarçando, ambos se afastaram.
Ele negava com a cabeça, atormentado pelo desejo e suas convicções religiosas, o que aquele demônio fizera com ele? Questionava-se constantemente.
- Está na hora de pararmos com essa brincadeira de gato e rato, Gianni, esta noite colocaremos um ponto final. – Ela olhava-o com certa tristeza.
Amor para quem nunca sentiu nada além da terrível sede de sangue era algo inusitado e irreal. Há um ano riria de algo assim com desdém, mas ali perto dele só conseguia pensar o quanto queria estar ao lado dele, era quase uma obsessão o desejo de ter aquele humano para si.
- Exatamente, isso terminará está noite.
A viagem até a ilha seguiu alguns minutos em silêncio, ambos se olhavam quase hipnotizados um pelo outro, presos naquele sentimento irracional lutando contra as próprias naturezas e convicções.
A troca de olhares falava de desejo, do medo, da vontade e a negação que vinha à mente. Foram despertos daquele duelo silencioso quando o navio atracou no porto com o som no alto falante da voz do comandante que agradecia a todos pela viagem.
Ela caminhou a frente dele que a seguiu colocando as mãos nos bolsos, depois de guardar a arma.
Ele não soube dizer o que veio em seguida, mas quando desceu do navio e caminhou atrás dela, notou um homem se aproximar e uma arma disparara. Por impulso, ele se lançou sobre ela. O resto passou em sua mente como um filme em câmera lenta... Um baque aqueceu seu peito e ele baixou o olhar sentindo algo quente escorrer por dentro do casaco. Sua visão falhou e se segurou a ela. Tocou o local e quando trouxe a mão para seu campo de visão estava manchada de vermelho. Gemeu baixo sentindo o olhar dela sobre si e tudo escureceu a sua volta.
-Gianni,acorda-te!
A voz vinha da escuridão, despertando-o daquele silêncio. Ele abriu os olhos que embaçavam e tentavam se adaptar a luz daquele ambiente. Piscou algumas vezes até que conseguiu o foco e girou a cabeça para a direção da voz que lhe chamava.
- Lya...- Gemeu baixo. - Onde estou? – Confuso, tentou se levantar, seu corpo estava frio e seus lábios secos, sentiu arder a garganta e sede. - O que aconteceu? Responda logo, demônio!
- Está em meu refúgio, trouxe-lhe para cá tem alguns dias. – Ela estava sobre a cama sentada sobre a perna, apreensiva, olhava-o com ar preocupado.-Gianni, levaste um tiro, perdeu muito sangue, eu... Eu não pude ajudar.
Ele olhou em volta, após sentar e ainda confuso, sentindo aquele ardor aumentar na garganta.
- Que sede é essa? - Tocou a garganta.
- Entristece-me quando me chama de demônio.
- Não é o que é? – Levantou ainda zonzo e apoiou-se na parede ao lado da cama para não tombar.
- É o que somos. – A vampira levantou e andou para perto dele.
- O que?! – Virou a face, analisando a situação por um momento, percebendo por fim o que lhe aconteceu. Sacudiu a cabeça negando avidamente. -NÃO... Não, por Dio não...-um urro de dor e raiva brotou do peito dele ecoando naquele quarto.
Ela havia o transformado, não queria perdê-lo, não conseguiria caminhar pela eternidade sem ver aquele humano.
_SAIA DAQUI, MONSTROOO. - Andou pelo quarto desnorteado. - DIO MIO, NÃO, ESSE DESTINO, NÃO SE APROXIME, SAIAAA...- Gianni estava sedento e transtornado. Expulsou-a do quarto, porém antes de sair, deixou-lhe uma taça de sangue sobre a mesa.
Alguns dias se passaram, ela evitou entrar naquele quarto, pelo seu refúgio ouviu os gritos e súplicas dele. Aguardou até que se acalmasse. Pouco mais que um mês já não se ouviam seus murmúrios de desespero.
Caminhando até a porta do quarto, ela parou, esperando calmamente pela permissão de entrar.
A porta se abriu sozinha permitindo que Lya entrasse, viu-o parado encostado no batente da porta que dava para a varanda olhando a noite fria, estava vestido com roupas simples e suas mãos nos bolsos da calça.
- Gianni.
Ele virou os olhos para ela, estavam vermelhos e havia algo sombrio na sua expressão que parecia perdida naquele lugar.
Ele suavizou a face quando ela chegou mais perto, o cheiro dela atraía-o e a sede apertou, fazendo comprimir os lábios, sentiu as presas ferirem sua língua e o gosto do próprio sangue.
- Realmente tudo acabou naquela noite.
- Gianni, eu não suportaria perde-lo... Eu...
-Egoísta.
Ela olhava-o, surpreendida com aquela palavra.
- Sabe o que os homens têm direito e que nem os anjos podem ter, Lya?
Ela sabia a resposta, sentiu um arrepio subir a sua espinha.
- Tirou-me o direito de escolha.- Olhava-a com certa frustração, afastou o corpo do batente tirando as mãos dos bolsos, caminhou até ela tão rápido que somente eles na atual condições poderiam ver, assim ele a envolveu em seus braços e a segurou pela nuca, afagou seus cabelos e os puxou, expondo a jugular de Lya, aproximou os lábios tocando a pele e lambendo-a pouco depois.- Diga-me como faço isso? É só morder?
Ela a principio estranhou, mas depois sorriu baixinho quando ele pediu que lhe ensinasse.
- Finque as presas e se alimente, quando se saciar basta lamber o local e o ferimento se fecha. - As mãos dela tocaram os cabelos castanhos dele quando sentiu as presas do seu vampiro entrar na pele alva e ouvir o som do sangue ecoar pela garganta dele.
Assim que terminou fez o que ela dissera, ainda abraçado rosnou baixou olhando-a com desejo.
- Quero você. - Beijou-lhe os lábios com desejo que guardara tanto tempo que seu corpo, apesar de frio reagiu de imediato a ela, sentia pulsar entre as pernas o membro, sua mão desceu as costas dela parando na altura da nádega, apertou-a contra ele, roçando sua virilha a dela. - Ti voglio. – Segurou-a, erguendo-a, fazendo com que ela enlaçasse sua cintura com as pernas e a carregou para cama.
- Gianni, espere...
Desperta nela o mesmo desejo, Lya não conseguia se controlar, o desejava da mesma forma. Desejava aquele sangue, cheiro e corpo. Retirou a sua blusa enquanto trocavam beijos ardentes ali sentados na cama, ele puxou com uma urgência incontrolável o vestido arrancando de seu corpo. Iria saciar aquele desejo contido de uma vez. Aqueles últimos dias pensara sobre sua nova condição, sofrera por isso, mas agora só queria uma coisa: Lya!
Era culpa dela e iria ficar para fazê-la pagar por isso, não iria sossegar a alma até vê-la pagar por tudo.
Gianni não conseguia admitir, mas a amava e agora na mesma condição que ela somente pensava em seu corpo, seu sangue e em dominá-la para sempre.
Afagando seu corpo sentindo seu aroma, sugou os seios expostos, ouvindo os gemidos dela que segurou forte o ombro dele.
-Estou lhe castigando por ser má e egoísta, fez o que fez e vai arcar com isso. -Voltou a beijar seus lábios com luxúria, avidamente, ofegou quando afastou os lábios. - Agora terá que me suportar por toda eternidade ou até que ambos vão parar no inferno.
Ela sorriu e retribuía os beijos na mesma intensidade.
-Cometerei mais e mais erros se essa for a minha punição. – Puxou a blusa dele para retirar com pressa.
Ele parou e a olhou sério.
- Sua punição está apenas começando.
Fizeram amor aquela noite, sob o som da neve batendo a vidraça da enorme janela do quarto que pertencia ao refúgio dela. Adormeceram exaustos quando o dia já estava prestes a raiar. Na noite seguinte, Lya acorda e procura por Gianni, acha somente um bilhete com o terço por cima, ao pegar leu com calma, aquelas palavras em italiano:
“La mia esistenza è ora vostra responsabilità, ragazza con tutto il male che io vengo causa, tutto perché dunque non scegliere è dalla tua parte. Buona notte, amore mio.”
Ela pegou o terço que pertencia a ele e colocou em seu pescoço como um colar e o tocou como algo precioso.
-Buona notte, amore mio.


-Isa-